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Rubinho Giaquinto

Pedro Paulo morreu sozinho em casa.

Ele andava meio deprimido porque havia perdido seu boteco, que era seu ganha-pão. A crise da pandemia pegou em cheio sua clientela.

Gente boa, era muito querido no bairro em que morava por mais de 60 anos. Patrocinava o time de futsal da molecada com rango, passagem e o jogo de camisa.

Os amigos e frequentadores do boteco nunca o viram triste. Sempre sorridente. Falava do sertão com muito amor e saudade. Seu caderno de vender fiado sempre estava aberto a todo mundo.

Certa vez, um famoso caloteiro do bairro foi comprar fiado com o Pedro Paulo, e ele vendeu sem pestanejar.

Um amigo ficou encasquetado com aquilo e perguntou:

– Colé, Pedrão?

–  O que, irmão?

– Esse cara não paga ninguém, porra!

– Eu sei, karai!

– A mãe dele tá doente grave, meu véi!

– Ele vai pagar!

Esse era Pedro Paulo.

Seu último abraço foi no seu cachorro vira-lata, o Periódico.

Até hoje nunca mais latiu por essas redondezas.

O boteco continua fechado. E nossas resenhas caladas.

Saudades imensas do sangue B Pedro Paulo!

Rubinho Giaquinto, escritor, músico, compositor, ativista cultural belo-horizontino, vocalista e guitarrista da banda Professor Colcheia, estuda Licenciatura em Educação Musical/ UEMG, e é Analista Socioeducacional do Instituto Cultiva.