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Wallace Armani

A Primeira Revolução Industrial se iniciou na Inglaterra, no século XVIII e foi de 1750 a 1850. Nesse momento, tivemos a transição da manufatura para o sistema fabril que foi alavancado por invenções, como: máquina de fiar, tear mecânico e máquina a vapor. Os processos passaram a ser mecanizados. Houve então, a expansão das indústrias têxteis, da metalurgia, da siderurgia e dos transportes. “O uso do carvão para alimentar as máquinas foi essencial nesse momento.” Passamos da manufatura para a maquinofatura. Houve também a expansão do comércio internacional e o aumento do mercado consumidor. A classe burguesa era a detentora dos recursos materiais e se buscava o lucro. Surge nesse cenário, a classe operária ou trabalhadora, também conhecida como proletariado, que era a mão de obra barata e explorada dentro das fábricas.

A Segunda Revolução Industrial se inicia em meados do dezenove e foi de 1850 a 1950. Foi um período “marcado pela consolidação do progresso científico e tecnológico.” Descobertas de relevo valem ser mencionadas, tais como: invenção da lâmpada, telégrafo, telefone, televisão, cinema, rádio, além de avanços na área da saúde. O uso do aço na construção de máquinas, pontes, estruturas e fábricas. Em relação ao transporte, vale ressaltar as ferrovias, o automóvel e o avião. “Esse conjunto de mudanças e invenções foram essenciais para revolucionar o sistema industrial. Elas trouxeram um novo panorama à vida social e econômica da população, denominando de Capitalismo Industrial. ” Entretanto, apesar de o “progresso e o conforto humano se mostrando favorável, por outro lado, as condições dos trabalhadores das fábricas eram precárias, incluindo duras e longas jornadas de trabalho e baixa remuneração. ” Com isso, as desigualdades sociais foram se tornando cada vez mais expressivas. É nesse momento que surgem os sindicatos, com a missão de defender os direitos dos operários. O sistema e os processos de produção foram revolucionados dentro das fábricas com esteiras rolantes, tendo como princípios o fordismo e taylorismo. Os processos eram dinamizados e “geravam mais lucro para os detentores dos meios de produção, barateando ainda mais o custo dos produtos.”

A Terceira Revolução Industrial se inicia em meados do vinte, indo de 1950 aos dias atuais. Avanços são notados nas ciências, na tecnologia e na informática “ (com o surgimento de computadores, criação da internet, dos softwares e dos dispositivos móveis) da robótica e da eletrônica. ” A energia atômica e nuclear é amplamente utilizada na criação “de bombas nucleares, pois pode substituir fontes de energia e também alguns combustíveis. ” Devemos destacar também a conquista espacial e a chegada do homem à lua em 1969. “Quanto aos trabalhadores, os direitos trabalhistas começam a se ampliar, diminuindo as horas de trabalho, incluindo benefícios e proibindo o trabalho infantil.”

A Quarta Revolução Industrial se caracteriza por um processo de desindustrialização, o que se torna uma ironia. O capitalismo abandona a produção e abraça a financeirização da economia.

Segundo o blog Mercado Eletrônico,

Para as empresas provedoras de serviços e tecnologias associadas ao conceito da indústria 4.0, o Brasil representa uma imensa oportunidade, entretanto, ainda caminha a passos curtos. No cenário atual, muitas empresas já possuem diversas soluções tecnológicas, porém ainda não são integradas, fazendo com que se perca o conceito 4.0. Na Europa, a quarta revolução industrial é falada desde 2011 e as empresas já estão buscando outras ferramentas digitais, como simulações em 3D e engenharia preditiva. O mercado brasileiro está se conscientizando sobre a necessidade dessas tecnologias 4.0 como um diferencial estratégico. Segundo Raul Azoli, técnico especialista em manufatura da Autodesk, os clientes estão incorporando o conceito de uma forma gradual, seja por meio de robôs, de sensores na produção, ou utilizando dados gerados pelos sistemas na tomada de decisões. Todas estas mudanças gradativas impulsionadas pela quarta revolução industrial têm gerado muito falatório, pois os trabalhadores temem perder seus empregos com tamanha automação. Entretanto, o que de fato ocorrerá é uma mudança no perfil dos profissionais. A mão de obra braçal diminuirá e o uso de tecnologias e softwares aumentará. Os colaboradores precisam se preparar para atender a essa nova etapa de trabalho.

O trabalho remoto se torna mais uma forma de se pensar o trabalho e muitas empresas já possibilitam essa modalidade tanto parcialmente como integralmente. O Brasil passa por um período de flexibilização, precarização e uberização do trabalho. Direitos trabalhistas são a cada dia mais enfraquecidos e o trabalhador busca se adaptar a esse cenário. O desemprego no Brasil se alastra e o trabalhador é pressionado pelo mercado a se tornar “empreendedor”. Ele é forçado a se adaptar ou é descartado e transformado em algo obsoleto, ou seja, o trabalhador passa a ser coisificado e tratado como um número.

Wallace Armani, Professor de idiomas e Analista Social do Instituto Cultiva.