Formação a distância é oferecido a profissionais da Educação em Suzano/SP

O Instituto Cultiva iniciou o curso de Mediação de Conflitos para mais de 900 profissionais da rede municipal de ensino de Suzano/SP. A atividade é oferecida na plataforma EAD e faz parte do Projeto Prevenir a Violência Escolar: Implantação do Comunidades Educadoras em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. A formação a distância é para todos os educadores das 33 escolas do município, é dividida em três módulos: conceitos e relações interpessoais; histórico da mediação de conflitos e os marcos legais e as estratégias para a construção de uma cultura de paz nas escolas.

O curso começou com a primeira roda de conversa “Acolhida e cuidado às famílias de crianças e adolescente com percurso de agressão/violência”, mediada pela Vice-presidente do Instituto Cultiva, Franciele Alves, a Psicóloga e Psicanalista, Alessandra Marques e o Pedagogo, Luiz Rena, que também compõem a equipe do Cultiva. O objetivo é alinhar sentimentos e questões relacionadas à violência infanto-juvenil. Durante o primeiro encontro virtual, a equipe do Cultiva esclareceu sobre comportamentos antissociais, percursos de agressividade e ou violência, desigualdades sociais e culturais que levam a situações de conflito. Alessandra Marques chamou a atenção para o cuidado nesse momento de isolamento social, uma vez que as crianças estão ficando mais em casa e o convívio com as famílias é mais intenso, por isso a importância dessa preparação com os profissionais para quando as atividades presenciais retornarem.

O professor Luiz Rena, abordou as definições e situações que geram conflitos. “Quando se fala de medicação de conflito, temos de se perguntar sobre qual é a percepção que se tem de conflito. Não é possível existir fora do conflito”, destacou Rena ao explicar que o conflito é um componente que faz parte da trajetória da vida, mas, que é preciso ressignificar a ideia de conflito.  Rena, alertou que a sala de aula é também um sistema de poder, como toda escola, e que o diálogo é a melhor ferramenta de negociação. “A violência só encontra condições de se efetivar, quando se elimina completamente o poder da palavra. É pela palavra, pelo argumento, pelo convite ao diálogo, que eu vou conseguir fazer a gestão de conflito de tal forma que não seja transformada numa situação de violência”, argumentou. O professor também respondeu aos questionamentos dos participantes sobre mediação entre pais e filhos, bullying, perfil do mediador, o papel da família.

Depois da roda de conversa, os participantes também já acompanharam o primeiro módulo com a videoconferência sobre “Conceitos e Relações Interpessoais”, com a condução do Presidente do Instituto Cultiva, Rudá Ricci e da Consultora Educacional, Renata Paredes. Ricci abordou conceitos a partir da leitura de conceitos clássicos da Sociologia para explicar sobre as relações sociais marcadas por conflitos, a graduação entre conflitos e confrontos vividos na escola que desencadeia violência, agressividade, indisciplina e incivilidade, como evitar e diagnosticar conflitos, as saídas individuais e coletivas.  O Cultiva também propôs a construção de protocolos de encaminhamentos para identificar situações de incivilidade, agressividade e violência, a partir do Ciclo da Mediação de Conflitos. O ciclo inclui a apresentação do problema, a governabilidade, o protocolo e o monitoramento.

Os educadores de Suzano também acompanharam a segunda Roda de Conversa “Diálogo com articuladores comunitários e a experiência de visita às famílias”. A Consultora Educacional do Cultiva, Renata Paredes, convidou as articuladoras Ana Maria Cizotto, Aparecida Francisca dos Santos e Adriana Lopes que na oportunidade compartilharam um pouco da experiência durante as visitas às famílias.  Ana, Adriana e Aparecida relataram as histórias de vida dos estudantes e de suas famílias em situações de vulnerabilidade social, agressividade e dificuldades na aprendizagem. “A maioria dos alunos é de família de baixa renda, e muitos vão a escola por conta da merenda”, descreveu Ana. “Ao vistar, de fato, a gente tem outro olhar para a criança, porque quando estamos na escola, temos a visão apenas do aluno. Quando a gente passa a visitar e conhecer um pouco da história, você vê a criança como criança, e não só como aluno e que precisa de ajuda, temos a falsa ilusão que criança não tem problema”, relatou Aparecida. “Essa criança apresentou  mudanças, devido a visita, na autoestima, começou a conversar mais comigo, com outro tio, a sorrir mais, passou a interagir melhor”, comentou Adriana, ao citar o caso de um aluno visitado ano passado. Durante a Roda de Conversa, Rudá Ricci e Renata Paredes também deram explicações e responderam a perguntas dos demais participantes.

Confira os depoimentos na íntegra nos vídeos das atividades já realizadas nos dias 15, 20 e 29 de julho.