Por Rubinho Giaquinto 

O Brasil passou a marca de 100 mil mortes por Covid-19, um recorde negativo para qualquer país, mas parece que aqui não mudou o sentimento em relação às mortes. A vida segue para maioria buscar o pão de cada dia: café da manhã, almoço e jantar. Incrível como o país dá um passo pra frente e dez pra trás. E o mais incrível que 47% da população acha que Bolsonaro não tem culpa das mortes pelo vírus, é mole?

O índice de infecção pelo novo coronavírus entre os jovens de 18 a 34 anos chegou a 17,7% na cidade de São Paulo, o maior entre todas as faixas etárias, isso com certeza se reflete no restante do país.

Esse contingente de jovens é aquele que têm de sair para trabalhar e que, na sua grande maioria, está nas periferias e são negros. Há um dado significativo aí: a maioria não apresentou sintomas, isto quer dizer que o vírus se espalha sem que a pessoa infectada saiba. Os ônibus são o lugar mais perigoso para se infectar, o que denota duas variáveis importantes: moradores periféricos e trabalhadores, muitas vezes, serviços precários.

Outro dado assustador nesses dias tão estranhos é que 53% das pessoas que pegam o auxílio emergencial, compram prioritariamente comida com o recurso disponibilizado, ou seja, a agenda política retrocedeu, hoje é a sobrevivência que está em jogo, não a luta por direitos civis.

No Nordeste, a pesquisa do Datafolha revela que sobe para 65% o índice de quem usa o dinheiro para comprar comida. O restante usa para pagar contas e custear despesas diárias. O povo é milagroso, consegue ainda fazer reformas nas suas casas.

A desigualdade brasileira é vergonhosa, perversa e com requintes de crueldade. Para assustar mais ainda, esses dias tão estranhos, Bolsonaro, por causa do auxílio emergencial, sobe seu índice de bom ou ótimo na última pesquisa do Datafolha.

Por um lado, na pandemia, os mais ricos ficaram ainda mais ricos, e os pobres, muitas vezes, quase 50%, só têm o auxílio emergencial como única fonte de renda.

É, caros leitores, esses dias tão estranhos, em que 50 milhões têm como trabalho o “bico” do dia a dia, desemprego crescendo a galope, e os 600 reais podem sustentar um governo fascista, racista e que detesta os pobres.

Meus amigos continuam procurando emprego e, a cada hora que passa, envelhecemos 10 semanas.