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Wallace Armani

Matrix é um filme de ficção científica que apresenta um mundo dominado por Máquinas. A humanidade é utilizada como bateria para as Máquinas e ela está presa dentro de uma realidade conhecida como Matrix. Seus corpos ficam encapsulados em uma espécie de mega plantação, fornecendo a energia necessária para que as Máquinas possam continuar funcionando.

A Matrix é como um sonho contínuo e ininterrupto. Ela dialoga com as leis da física tradicionais e com uma representação da realidade que pode ser vista nos noticiários, nas redes sociais e em nosso dia a dia. Tudo aquilo que é experienciado na Matrix é de fato uma simulação proporcionada por um programa de computador. Tudo é artificial, não real e monitorado. A humanidade não possui consciência que a vida como ela conhece não existe mais. A humanidade sobrevive e está mergulhada em ilusões. Ela é escravizada por Máquinas e não se dá conta de sua situação. As vontades da humanidade não existem. Toda ela, a humanidade está inserida em uma coletividade pré-programada.

Existem aqueles que descobriram o que de fato acontece e que conseguiram se libertar da Matrix. Essas pessoas vivem nos subterrâneos, em um lugar chamado Zion. Eles lutam contra as Máquinas e buscam libertar a humanidade do jugo delas. Eles conseguem entrar e sair da Matrix a qualquer momento.

Vamos pensar agora no sociólogo como uma pessoa que vive em Zion. Ao contrário de outros cientistas, o sociólogo não realiza experimentos em laboratórios. Ele não coloca um uniforme branco, calça luvas e usa máscaras de proteção. Os seus experimentos não são feitos com tubos de ensaio. Ele não analisa partículas subatômicas. O sociólogo participa e se insere dentro de suas análises. As pessoas à sua volta compõem o seu objeto de estudo. As cidades onde ele mora ou conhece são o seu laboratório, e assim por diante. O sociólogo acorda sociólogo e dorme sociólogo. Ele é como o homem que vive em Zion. Ele sabe que a Matrix é um construto e mesmo assim, tenta entender como esse construto se organiza.

O sociólogo procura entender a Matrix, questiona Zion e quer saber o porquê as Máquinas fazem o que fazem. O sociólogo, por estar desconectado da Matrix, percebe e entende que tudo aquilo é uma representação, mas ele interage com ela. Ele, o sociólogo, descontrói, desnaturaliza e problematiza a Matrix, Zion e as Máquinas. Ele observa os fenômenos que são comuns em todos eles e os teoriza. Ao contrário de outros profissionais, o sociólogo não coloca e tira suas vestimentas profissionais para exercer a sua atividade, e sim, acorda e dorme com elas. Os problemas encontrados em seu dia a dia o levam a reflexões sociológicas. As conversas despretensiosas o fazem refletir. O mundo é visto pelo sociólogo por meio de lentes que não podem ser removidas. Para a humanidade, a Matrix é a realidade e o lugar onde elas vivem. O sociólogo coleta dados, organiza, interpreta, reflete, debate, compara e questiona. De fato, o sociólogo tenta entender como a humanidade se deixou ser encapsulada por Máquinas e como podem querer viver através de ilusões.

Wallace Armani, Professor de idiomas e Analista Social do Instituto Cultiva.