Encontro de formação dos articuladores comunitários realizado ano passado.

Prevenir a Violência Escolar apresenta situações urgentes e urgentíssimos em Suzano/SP

Há quase um ano o Instituto Cultiva deu início ao Projeto Prevenir a Violência Escolar com a implantação do Programa Comunidades Educadoras em escolas da rede municipal de Suzano, região metropolitana de São Paulo. O projeto é desenvolvido com a Secretaria Municipal de Educação (SME) em 33 escolas do Ensino Fundamental 1. Em abril foi apresentado o Protocolo de classificação e Encaminhamento de casos urgentíssimos e urgentes, após uma análise criteriosa dos técnicos envolvidos com o programa, de cada situação encontrada pelos articuladores comunitários durante as visitas às casas das famílias dos estudantes.  A proposta central do trabalho é criação de uma rede territorial de proteção e prevenção da violência escolar para atendimento às famílias de alunos em situação de vulnerabilidade.

 A suspensão das atividades presenciais por conta das medidas de combate e contenção da pandemia do novo Coronavírus, não parou o cronograma dos trabalhos que foi reorganizado em reuniões virtuais entre as equipes de coordenação da SME e a consultoria do Instituto Cultiva, para avaliações e encaminhamentos junto aos diretores das escolas e supervisores pedagógicos. A partir da análise dos dados, coletados nas visitas dos articuladores comunitários, foi possível organizar as situações e características apresentadas de forma individual ou combinadas, e classificar os casos considerados urgentíssimos e urgentes, trabalho feito em conjunto entre a equipe de gabinete da SME e Supervisores Escolares. Durante as visitas, os articuladores levantaram informações sobre condições de vida, tempo de convívio familiar, acesso a bens culturais e sociais, acolhida comunitária e acompanhamento dos responsáveis em relação aos estudos e progressão na carreira estudantil. Até março de 2020 foram feitas mais de 200 visitas. Os dados coletados foram inseridos no formulário online do programa e são acompanhados pela Secretaria Municipal de Educação em tempo real.

Protocolo de classificação define situações caso a caso

Os casos considerados como “Urgentíssimos” apresentaram as seguintes situações ou características: sinais de violência (como vítima ou autor), apatia, suspeita de abuso, automutilação, tentativa de suicídio, fome extrema, queda brusca de desempenho no último semestre (cair um ou dois níveis), dificuldade de aprendizagem crônica, bullying, racismo. Agora, os casos considerados “Urgentes” são entendidos como aqueles em que pais não se importam com a vida escolar/notas (expressam que “não tem jeito”), pais não conseguem acompanhar as tarefas (falta de tempo ou baixa escolaridade), comportamento agressivo, comportamento hiperativo/agitado, situação de desemprego ou baixa renda da família sem acesso a política social, infrequência/evasão escolar.

 ACESSE AQUI  para entender como é definido o Protocolo de Classificação e encaminhamentos do Projeto Prevenir a Violência Escolar: Implantação do Comunidades Educadoras de Suzano/SP.

Encaminhamentos seguem orientações pontuais

Os casos considerados urgentíssimos devem ser imediatamente comunicados ao diretor pelo articulador assim que identificados, ou o supervisor de referência da escola e/ou a coordenação do projeto. Os diretores devem fazer os encaminhamentos necessários, com apoio dos supervisores e coordenação, para acionar a rede de proteção do território para atendimento ao caso, bem como consultar o documento Agenda de Entidades e Equipamentos. Para essas situações o recomendável é de que se faça o atendimento em, no máximo, uma semana. Os encaminhamentos variam de acordo com cada situação tanto para os urgentíssimos quanto para os casos urgentes. São ações como: 

  • Implementação de estratégias pedagógicas alternativas, por exemplo a metodologia de Grupos de Trabalho Diferenciado (GTD) ,voltada a situações de dificuldade de aprendizagem;
  • Articulações de apoio à família junto aos órgãos governamentais como Conselho Tutelar, Secretaria de Saúde, CRAS e Guarda Municipal, para acesso a políticas públicas e serviços conforme a situação levantada: violência doméstica, abuso, depressão, fome. 
  • Outra proposta discutida com os diretores seria a implementação protocolos de “Mediação de Conflitos” que podem ser construídos a partir das formações continuadas que o programa tem desenvolvido.

A partir de maio a proposta é retomar o diálogo, virtual neste momento, com as secretarias parceiras (Saúde, Assistência Social, Esporte e Cultura) para socialização dos casos classificados e prosseguimento aos encaminhamentos propostos. O diálogo entre família e escola é essencial para a prevenção da violência escolar. Este diálogo se fortalece com as visitas dos articuladores comunitários, com os encaminhamentos realizados nas escolas, com o engajamento das equipes. O próximo passo é estudar as possibilidades de retorno da visita às famílias, após os encaminhamentos, buscando fazer um escuta e reflexão junto aos pais ou responsáveis sobre as dificuldades de acompanhamento das atividades escolares e assim analisar as soluções possíveis. Neste contexto tão novo e de desafios, reforçar as redes de apoio é essencial.