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Por Rubinho Giaquinto

O auxílio emergencial aquece o pequeno mercado de construção e reformas das casas dos mais pobres nas periferias brasileiras.

Dona Eulália grita de euforia quando o cimento chega na porta da sua casa. Ela ajoelha, olha pro céu e agradece a Deus. Faz uma longa oração com seus dois filhos em plena rua esburacada na hora do almoço, chora de correr lágrimas e fala:

Oh, meu filho, foram anos de labuta para construir o quarto dos meninos e completa: é tudo de primeira.

Dona Eulália é mãe solteira, trabalha de diarista e recebeu 1.200 reais do auxílio emergencial por mês.

Ela agradece ao Bolsonaro e faz uma oração pra ele. Fico atônito com a cena, mas não falo nada.

Vou seguindo pensativo. Bolsonaro não fez nada para os mais pobres e ainda nosso povo tá morrendo. Já passamos de 100 mil mortes por Covid-19. Mas quem tem coragem de tirar a alegria de uma mulher trabalhadora que luta todos os dias para criar seus filhos? Que não teve quarentena ideal para ficar na sua casa. Trabalha fazendo “bico” de faxina na casa dos outros.

A realidade é mais cruel do que possamos imaginar. Já dizia um pensador popular: dinheiro compra até amor de verdade.

Daí penso como a batalha vai ser dura demais para convencer que esse Bolsonaro é genocida e não gosta do povo pobre.

A outra surpresa, além de tijolo e cimento em falta nos depósitos, é descobrir que o carvão também anda sumido.

Vejo muita gente da esquerda falando que vai voltar a fazer trabalho de base. Tomara que volte, sim! Agora volte com humildade, companheiro, volte no chinelo, e sem idealizar os mais pobres. O povo aqui não é fascista e nem despolitizado e nem santo. Ele vive suas contradições numa sociedade super desigual e precisa sobreviver. Acho que o Lula sabe muito sobre isso. Lacrar no face já tá ficando demodê.

Aqui embaixo auxílio emergencial dado por governo fascista tá fazendo milagres.

Antes que esse povo chato me venha falar que foi o congresso que deu, porque o governo queria dar 200 reais, quero te dizer que sei disso. E isso não importa mais. Foi pra conta do genocida, mermão! Ele que tá faturando com isto. Aposto que vai prolongar o auxílio emergencial.

Oseias, que tem só a quarta série, está trabalhando freneticamente na pandemia. Passou no mercado e fez uma feira com carne e azeite de oliva. Deu uma risada, entrou num Uber e foi para uma periferia ainda mais longe por 15 reais.

O céu é só uma promessa!

Rubinho Giaquinto é Analista Socioeducacional do Instituto Cultiva