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Foto: Ricardo Stuckert, de domingo, 07/06, durante manifestação em Brasília contra o governo Bolsonaro

Rubinho Giaquinto

Penso que surge um novo protagonismo político no Brasil: jovem, negro e periférico. A legítima voz desse protagonismo grita nas ruas injustiças históricas de desigualdades e racismo.

Lutam por democracia, contra o racismo e contra o governo genocida de Bolsonaro. Saíram direto das arquibancadas dos estádios, bairros operários e favelas.

Mineirão, Morumbi, Maracanã, Rocinha, Capão Redondo, Pedreira Prado Lopes ganharam as cadeiras cativas da Paulista, Afonso Pena e Copacabana.

Sei que vivemos uma pandemia que tá matando sobretudo a população pobre e negra. Isso torna ainda mais revolucionário e histórico esse movimento.

Palavras de ordens desses jovens foram outra novidade.

“Somos nós que fazemos a limpeza urbana.”

“Somos nós que estamos servindo nas padarias e nas farmácias.”

“Somos nós os mais atingidos pelo desemprego.”

Somos nós que sofremos mais truculência da polícia.”

“Somos maioria nos presídios brasileiros.”

Mas a coragem desse novo protagonismo foi maior que o medo.

Muitos setores progressistas usaram vários argumentos para desmobilizar esse novo movimento. Foi em vão.

Esse novo protagonismo jovem e negro foi para as ruas desnudar uma opressão histórica. Fizeram história e apontaram para uma perspectiva de esperança e cheia de vida.

O Brasil precisa mudar os rumos do seu futuro. Isso não acontecerá se não lutarmos no presente.

Há muita luta pela frente.

Mas fizemos o primeiro gol já no início da partida.  As arquibancadas estão lotadas e animadas e não vão parar de gritar.

Hoje foi show de bola!

Rubinho Giaquinto, escritor, músico, compositor, ativista cultural belo-horizontino, vocalista e guitarrista da banda Professor Colcheia, estuda Licenciatura em Educação Musical/ UEMG, e é Analista Socioeducacional do Instituto Cultiva.

O vídeo é registro de Rubinho Giaquinto durante manifestação na Praça da Bandeira em BH.